Rasuro no papel
Pra não deixar
Espaço em branco
Enquanto as horas
Senhoras
Do seu próprio tempo
Vão conduzindo
Os momentos
sábado, 7 de maio de 2011
Solidão
sábado, 30 de abril de 2011
15 minutos de fama
Não skype de mim
porque não ipod
já peguei seu badoo
seu orkut
vou ligar
no seu touch
e só pra calar seus anseios
mandarei um email
com fotos manchadas
mostrando os meus seios
Não se skype de mim
sem pagar facebook
e sem fazer nessa rede
15 minutos
a fama é a sede
de quem tem youtube
Se skype de mim
não vem com ipad
vou dizer bbb
te tirei da minha net
E mesmo que grite e edite
seu video no moviemaker
ou venha dançando de costas
o famoso moonwalker
meu amor, keepwalking
seus 15 minutos de fama
acaba-se aqui
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Eu não tenho culpa
Eu não tenho culpa
De não ser sol e nem mar
Nem de não ser vento
Para acariciar-lhe a face
Eu nunca fui cerrado
Nem serra
Vale ou campo...
Passageiro em alto mar
durante a tempestade...
Não tenho culpa
de não acreditar em seus santos
Nem cultuar, ou defender as suas cores...
Eu não tenho culpa
de estar sempre em
cima do muro
Sou o lado humano
Sou o lado escuro
Depende do barro
Nas mãos de um Ser
E da forma que ele dará...
Será o destino
Tortuoso
Escrito
e exposto
nas galerias
da vida...
Eu
Não
Tenho
Culpa...
(Jair Fraga)
domingo, 24 de abril de 2011
Índia
Tirar-te-ei do véu da imagem
Desta roupa que te veste na passagem
E pela rua irei mostrar tua paisagem
Tão nua quanto ao corpo de um selvagem
Sem pudor dirão os homens, que milagre.
Sorrindo com os peitos por amostra
O vento irá soprar os seus cabelos
Enquanto a fragata encalha ao ver-te índia
Dirão os homens :
De longe Primavera!
Linda singela donzela
De perto
Vulcão em erupção
Tão quente
Quanto o calor do verão
(Jair Fraga)
Lugar comum
Prometo
meu bem
Que lhe levo
Pra longe
do lugar
Comum
E do teu
lado me deito
Tomando
uma dose de
Rum
Só por favor
Não me peça
Para dizer
O que sinto
Pois sou poeta
Eu minto
E tudo que
quero é
Viver
Esta
paixão
ordinária
Induz
a escrever
Mas
não
alimenta
Estas
bocas
Que
querem
comer
Jair F.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Quem sou eu pra falar de mim?
Até aranha fia
Tecendo ali uma historia
Que desafia
A mosca que sobrevoa
Mesmo temente a deus
Desconfia
E essa mosca sou eu
Preso nas teias do destino
Mas diferente dela
Sobrevivo
As minhas faces cravadas no espelho
Não mais reconheço
Sinto-me como um cão sem dono
Recém fugido do canil
Onde me sobrou apenas
O uivo , a lua e o vento que sopra
Minhas memórias
Espalharam-se no vão das paredes
Nos porta- retratos
Naquele sorriso oco
Que eu não mais me encaixo
Terra... bendita Terra...
Se comi terra quando criança
Foi apenas pra me sentir terrestre
Mas na rua sozinho onde caminho a pensar
Vejo que além de humano, sou pedestre
Um belo desastre natural
Mas se não fosse tão normal
Ser igual ou diferente
Talvez o meu presente fosse o passado
E ao invés de vagar, eu seria crucificado
(Jair Fraga)
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Água da insanidade
Esqueci-me de comprar caixa de chuva
e por isso eu senti a dor da sede
e temi que a mim morresse qual um peixe
fisgado pelo anzol do esquecimento
mas a linha segurada era de anseios
e derreteu-se no calor de tanto medo
foi aí que me acordei dentro da noite
e percebi que ainda havia muita água
e me perdi qual um boi no colonião
a aranha segurava a minha mão
e os meus olhos soaram em desatino
a água que chovia era de monte
o amanhã não mais luzia a minha frente
temi que me enterrassem em contra-mão
e desejei que alí fizessem um velho totem
que coubesse também minha aflição
mas não morri , graças a Deus
que teve dó e não mais chorou
me agarrei na teia que tecia o horizonte
os pássaros não voavam, pintavam o sol
o ocaso me engoliu singelamente
e assim eu procriei com as estrelas
Jair Fraga V. Neto
sábado, 25 de dezembro de 2010
Versos Molhados
Desejei por um momen-
to estar cho-
ven-
do
.
. . .
. . . .
Assim,
seria eu,
"sujeito a
chuvas e
trovoadas"
. . . . .
Mas,
não
estava.
.
.
.
Era
se-
tem-
bro.
.
Calor
que só,
cabeça quente,
olhos agudos,
suor escorrendo.
. . . . . . . . .
. . . .
. .
.
Eu
não pude
me controlar
Você estava bela
Vagava daqui,
vagava de lá
E eu ali,
só a
obser-
var.
.
Foi culpa do tempo,
Ele estava propício
Que por um momento
Evaporei e quando percebi
Já era nuvem…
. . . . .
.
Eu bem queria
estar chovendo,
Assim,
escorreria
como
água
em
seu
cor-
po,
. . .
.
.
F
.
L
.
U
.
I
.
N
.
D
.
O
.
Em
cada veia
. . .
Adubando corações
Abandonados .
.
.
.
Eu
se-
ria
a
água
ne-
ces-
sária
a sua
semente,
e as gotas
que caissem
de minha nuvem,
atingiriam não só os
lençóis freáticos,
como também
permeariam
a su' alma
...
.
.
Fariam
brotar
em sua virilha
Um desejo
indecente
.
..
.. de..
…evaporar...
Junto de mim,
e por um momento
ser nuvem,
.
.
Mas,
como eu já era “nimbus”
Perdi-me de mim e em ti desagüei
"
V
.
E
.
R
.
S
.
O
.
S
-
Molhados "
JAIR FRAGA VIEIRA NETO
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Acaso.
Não sei se foi pra deus ou pro diabo
Que minha alma eu vendi
Só sei que está jogada no acaso
E que os anjos poderão não consentir
Eu sei, terrivelmente, que dessa vez
não me perdi. "Yo me encontré"!
E nesse encontro , redundou-se
Novo eu.
Será você!?
Jair Fraga V. Neto
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Poesia Banheiral
Na solidão do banheiro
O que predomina é o cheiro
E a água que cai do chuveiro
Nestes momentos quase nem sei
O que é verdadeiro
As palavras se distorcem
Em parábolas mal faladas
Ditas por todas as bocas
Quase nunca executadas
Lembro-me do mundo
Da desgraça
Lembro-me da guerra
Dos homens de farda
Mas só alivio
Quando dou
descarga
Jair Fraga.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Vazio
Nas paredes de meu quarto
Nada me toca
Além de seu retrato oco
Em cima da porta
Jair Fraga V. Neto
Risco
Como se arrisca
o risco
Quando se põe
em pauta
Como quem tira
um cisco
Do olho da falta
E pra calar conflitos
Faço meus rabiscos
Afinal disseram
E já esteve em alta
Que quem não se arrisca
Também não petisca
E nessa breve vida
Feito parasita
Se diverte não
Jair Fraga V. Neto
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Gigante
Sou tão astuto que eu dou nó em faca
E coço os olhos no fio da navalha
E se me virem por ai mastigando
Tenha certeza que é a pólvora da bala
Eu me alimento das dores do mundo
E se me envolvo vou até o fundo
Mas só não pensem que isso é sofrimento
Meu codinome não é sofredor
Sou tão gigante, meus amigos
Que eu abraço o cristo redentor
Jair Fraga V. Neto
domingo, 31 de outubro de 2010
Sonho
Saiba meu amor
Que hoje eu acordei contente
Pois ontem eu sonhei com dente
Mas foi o nosso amor
Que morreu!Jair Fraga V. Neto
Despedida
Farto eu me despeço
Frente as moscas
que voam sobre
a minha cabeça
Meu corpo em estado
de decomposição
Uma parte
de mim
Olha pra ti,
Alva Donzela
Lágrimas
Em seu rosto
Não sei se de tristesa
ou de gosto
Eu de cima lhe olho
Sorriso impagavel
Nas suas mãos
as rosas que iria me dar
E eu aqui longe
Deste corpo
Olhando-te de cima
Fingindo-me absorto
No acaso vago,
silencio profundo
Preso em mim mesmo,
resmungo.
Jair Fraga V. Nto
domingo, 5 de setembro de 2010
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Cara de gerúndio
Se tu soubesses
Que meu coração é teu
Não ficaria aí
Me olhando
Como quem
Está cagando
Com esta
cara de gerúndio
Jair Fraga V. Neto
sábado, 28 de agosto de 2010
Desprecavido
sinto cheiro
do danoso
à distancia
e quando
sinto seu perfume
tapo meu nariz
o seu corpo afiado
desafia meu olhar
e eu me entrego
de cabeça
qual um
aprendiz
Jair Fraga V. Neto